Sento em frente ao computador de uma Sexta-feira de fevereiro para berrar sobre o que penso sobre as coisas. Começo meio embaraçado, pois como é comum nessas épocas em que a estética parece prevalecer sobre o conteúdo meu senso de autocrítica paralisa as minhas ações. Observei pela janela meu habitat "urbano-favelado" e percebi a Babel que me rodeia, com seu concreto e tijolos à vista, ruelas, becos e malocas de compensado. O verde que daqui percebe-se é a luta constante do mato brotando das encostas dos muros, além das arvores em terrenos maiores.
LUTA. Aqui, luta é sinônimo de cotidiano, de sobrevivência, de esperança materializada em ações diárias e constantes. Todos lutam para o alimento, para obter um pouco mais da vida e da divisão social da riqueza através do trabalho nesta sociedade desequilibrada. Lembro-me vagamente de como eram as coisas quando aqui cheguei, era um menino de cinco anos de idade, não tinha muita noção sobre as coisas, mas falarei sobre estas experiências mais tarde. O que quero dizer agora é que pensei a minha vida de forma engraçada, ou apenas tivera mais um sonho acordado, talvez fosse pesadelo, ou ainda estivesse dormindo até agora... Que seja.
Vejo-me em um campo de futebol, sou jogador estou fardado, tenho uma camisa, uniforme completo. Talvez esteja no Maracanã lotado, no Beira-Rio, ou até mesmo no Olímpico. Não, não, não. Nem mesmo em sonho sou um jogador profissional! Acho que estou em algum campo de Várzea, desses que lotam aos domingos para o lazer dos trabalhadores e da comunidade em geral. Estou eu e meu time, me preparei durante oito anos para chegar aqui, fiz faculdade e pós-graduação, sou um especialista, mas nunca me acho bom o suficiente para conseguir ganhar a partida. Estudei a regra, observei os movimentos, desde a origem, diversas teorias, tentei compreender a tática, os estratagemas utilizados, defesa e ataque, só que agora chega! Não quero somente compreender o jogo, quero jogar apostar e modificar. Eu quero fazer a diferença!
Aos quarenta e cinco do segundo sou chamado para bater o pênalti que marcou o juiz. Estou no campo do adversário e o jogo está empatado. Não entendo porque eu fui chamado (Talvez seja o meu momento de decisão ou simplesmente porque é sobre mim que falo). Olho para as laterais do campo, as duas torcidas se encaram com a cólera dos séculos, estão armados, prontos para a guerra, talvez este seja o confronto final. Se eu marcar o gol, caio nos braços da minha torcida e sou esmagado pela torcida adversária, mas se eu errar, presto contas rigorosas com os meus manos.
Neste instante percebo que não adianta mais pensar no que vai acontecer e não importa se eu marcarei ou não o gol. Estou na linha de frente, aliás, estou na outra trincheira do conflito, estou dentro das quatro linhas e faço parte do inevitável, sendo assim o que importa não é o resultado do jogo mas... que eu tenho que mirar o canto, correr para a bola e chutar...
O resultado não interessa. De qualquer maneira fiz a ação que desencadeou o processo, comecei a fazer a diferença, comecei a participar e agora não irei parar. Pois estou no campo de extermínio.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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